
Ao refletir sobre as observações de Paulo Freire sobre a importância do uso dos Temas Geradores na prática pedagógica em sala de aula, observa-se a necessidade de ligar a aprendizagem do aluno à sua vida cotidiana, às suas vivências e anseios, tornando-a significativa, para que ele entenda a importância de aprender e de reconstruir o que já sabe.
Para Paulo Freire o sujeito ao se alfabetizar, além de decifrar as palavras deveria entendê-las, no seu contexto de vida. Por esse motivo ele elaborou uma proposta pedagógica utilizando os temas geradores.
Trabalhar com a proposta de tema geradores de Freire é pensar na identidade do aluno adulto, é trabalhar conteúdos sem que estes sejam a verdade absoluta, é estabelecer as relações entre a aprendizagem da escola e a da vida, enfim é alfabetizar e letrar considerando as diferentes culturas. Ele não acreditava em uma alfabetização onde o sujeito apenas decifrasse a leitura e a escrita sem observar aí uma finalidade, uma tomada de consciência sobre a sua própria condição e aprendizagem.
Os temas geradores, ao contrário das antigas cartilhas que repetiam palavras com as mesmas sílabas e que não tinham o menor sentido para quem estudava, partem de palavras que fazem parte do cotidiano dos alunos, trazendo a sua realidade para a sala de aula, para ser explorada, discutida e problematizada. A importância é que além do aluno começar a compreender o mundo da leitura e da escrita partindo de um conhecimento que já tem, ele percebe a significação dela em sua vida e nesse momento refaz a própria aprendizagem, tomando consciência de si e do coletivo de das necessidades aí envolvidas.
Trabalhar com a proposta de Freire é resignificar a aprendizagem para o aluno e torná-la importante para a vida, para o mundo e não somente para a escola.
Referências:
BETTO, Frei. Paulo Freire: a leitura do mundo
FREIRE, Paulo. A dialogicidade - essência da educação como prática da liberdade.
Pedagogia do Oprimido. 40ª edição. Rio de Janeiro: Paz na Terra, 2005.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Trabalho com temas geradores
Postado por carla sperafico às 11:47 1 comentários
Marcadores: Didática, Educação de Jovens e Adiltos, Linguagem e educação, planejamento e avaliação
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Alfabetização de Adultos
As dificuldades em trabalhar com EJA, como o texto relata, passa pelos problemas sociais. A escolarização tem peso menor para a sua sobrevivência de adultos das classes populares, outras questões são preponderantes - como habitação, saúde, emprego, alimentação, transporte - em relação aos processos escolares. Daí a evasão, que supera a permanência em sala de aula, evitando o abandono e a desistência. Além, é claro, do mais significativo, o cansaço físico, porque após um exaustivo dia de trabalho, poucos sentem-se estimulados a permaner por um extenso período na escola.
Hara coloca muito bem a questão que a simples militância e a informação técnica não são suficientes para ensinar a ler e escrever, assim como uma metodologia direcionada por palavras relacionadas à realidade do aluno, é preciso mais, é necessário que este adulto compreenda a função da leitura e da escrita em sua vida, em como lhe será útil para a construção de conhecimentos sobre o mundo que esta inserida, desenvolvendo habilidades que lhe capacitarão para participar e trans
Hara diz que é importante valorizar o que o aluno traz de suas vivências. Que a aprendizagem da leitura e escrita ocorre da mesma maneira para adultos e crianças. Os estágios de construção da escrita que os adultos apresentam são os mesmos identificados nas crianças.
A aprendizagem da escrita e da leitura é um processo em que o sujeito é o construtor do conhecimento.Os adultos pensam a escrita como um sistema de representação e tem hipóteses sobre como acontece essa representação.Tudo serve para ler, porém fica mais fácil se o texto escrito provocar a curiosidade e o desejo do leitor, seja criança ou adulto.A escrita também se dá da mesma forma, precisa haver uma vontade de escrever, um objetivo, assim ficará mais fácil esse processo. Ou seja, é necessária a compreensão do processo e da importância dele para o educando.formar sua realidade.
A avaliação na EJA precisa ser adotada de forma que leve o próprio aluno a se perceber, a dar-se conta de seus progressos e do que ainda precisa melhorar, pois desta maneira ela se torna mais um argumento de permanência deste adulto em sala de aula e lhe dá estímulo para enfrentar as adversidades diárias, tais como: cansaço, necessidades de carência social e financeira, etc.A promoção da auto-avaliação ou do Conselho de Classe Participativo, como já é adotado em diversas escolas do município onde há EJA, é eficiente para promover o \"feed-back\" para os alunos desta modalidade.O professor pode argumentar em favor do progresso mostrando ao aluno produções antigas realizadas comparando-as as atuais. Essa prática serve de estímulo para ambos e justifica a continuidade, podendo, inclusive, apontar caminhos para continuidade do processo de aprendizagem.
Me surpreendi com os estudos sobre como se dá a aprendizagem na EJA, e no trabalho com adultos, e achei interessantíssimo o questionamento de Emília Ferreiro \\\"Não será possível considerar uma ação alfabetizadora que tome como ponto de partida o que estes adultos sabem, em lugar de partir do que ignoram?\\\"; pois trata-se de iniciar um trabalho já apostando em cativar, incentivar e valorizar o aluno para que ele se sinta impelido a buscar mais sobre o que já conhece. Muito bom este texto!
Referência:
HARA, Regina. Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3.ed. São Paulo: CEDI, 1992.
Postado por carla sperafico às 06:56 3 comentários
Marcadores: Educação de Jovens e Adiltos
sábado, 26 de setembro de 2009
As diferentes falas
A escola precisa reconhecer essas diferenciações na fala e na escrita e abrir espaço para que tal multiplicidade ocorra também em sala de aula. O aluno precisa reconhecer a existência da linguagem acadêmica, porém a academia também precisa abrigar as diferenças sociais que abarcam costumes e “falares” distintos.
Postado por carla sperafico às 06:55 1 comentários
Marcadores: Linguagem e educação
EJA sob a visão freiriana
Paulo Freire contribui significativamente com a educação apresentando uma nova proposta de alfabetização com a valorização da cultura de todas as etnias demonstrando a importância de cada pessoa no processo de construção de conhecimento de uma sociedade democrática. Freire revela a consciência política do ato educativo, apostando em uma educação para a transformação social e acreditando na importância da ação pedagógica para a emancipação humana.
O pensamento Freiriano contribui para mudanças significativas com a sua forma de ver o mundo no desenvolvimento do trabalho pedagógico, abrindo aos alunos uma perspectiva para conquistar seus direitos, sua auto-estima e dignidade. E ao mesmo tempo, fazer nascer a esperança de se tornarem sujeitos de sua aprendizagem, participando e sendo capazes de reinventarem aquelas experiências históricas e existenciais que são desvalorizadas na vida cotidiana pela cultura dominante. A educação que Freire propõe é problematizadora, crítica e emancipadora.
Ele nos mostra a importância e a necessidade que temos da reflexão e ação a partir das nossas histórias de vida e dessa maneira participando ativamente do processo social. Segundo ele, a educação deve possibilitar aos alunos se tornarem construtores do processo de conhecimentos e a partir daí transformadores de uma sociedade melhor para todos.
No processo de alfabetização, a leitura de mundo realmente precede a leitura da palavra. Sendo assim, os alunos devem compreender o mundo que os cerca, discutindo, falando, refletindo a respeito do mesmo, para que possam se alfabetizar de uma maneira crítica e emancipadora, transformando da própria condição. Isso se torna possível através do diálogo, partindo do conhecimento de mundo que o indivíduo já possui. A partir daí reconstrói-se por meio da língua, a própria história do sujeito e de sua cultura através do saber individual.
Então, ler e escrever não podem ser processos mecânicos. Deve ser processos criativos de percepção do mundo econômico, social, cultural que resulta num processo mais amplo de conscientização. A consciência só é adquirida se houver um processo dialógico entre o homem e o mundo. Por isso, também, a importância dos sujeitos se perceberem através das suas “leituras”, como agentes da História. Pessoas que fazem a História e que não apenas participam como expectadores.
Toda educação que deseja alcançar êxito na formação da consciência crítica, com o objetivo de transformação deve se embasar nos princípios de educação propostos por Paulo Freire.
A alfabetização em seu sentido mais amplo compreende as experiências e relações dos educandos com o mundo, e, no sentido mais específico, é a ação de uma referência para a crítica. Como narrativa, para a ação, torna-se uma tentativa de resgate da história, experiências, visão do discurso tradicional e das relações sociais dominantes. Desenvolver condições para que os indivíduos possam se situar em suas histórias para promoverem outras possibilidades de vida.
Ser alfabetizado é reivindicar sua própria voz. Como referente para a crítica, a alfabetização oferece precondição para a organização, a compreensão da natureza socialmente elaborada e para a avaliação de como o conhecimento, o poder e prática social, que podem ser moldados conjuntamente, tornando a tomada de decisões instrumentos para uma sociedade democrática, e não concessões aos que querem os ricos e poderosos. Ou seja, é preciso que a alfabetização de jovens e adultos considere as histórias de vida dos alunos, pois é a partir de suas experiências, comparando com as outras que lhes são contadas, é que construíram e reconstruíram outras possibilidades humanas, revendo seu espaço como cidadão.
Nomear analfabetismo como parte da definição do que é ser alfabetizado representa uma construção ideológica seguindo determinados interesses políticos. Analfabetismo pode ser tanto uma forma de ignorância intelectual e política quanto uma resistência de classe, sexo ou de cultura. Grupos oprimidos se recusam a aprender os códigos e competências culturais pela visão do que é a alfabetização das classes dominantes. A prática de alfabetização escolar desconsidera que estes grupos possuem seus próprios códigos e uma cultura muito particular, praticamente impõe o conhecimento escolar da cultura dominante, criando assim, um espaço conflitante pelos grupos subalternos que lutam por suas vozes.
Uma prática de alfabetização crítica precisa ser sensível as condições históricas, sociais e culturais que contribuem para as formas de conhecimento e de significado que os alunos trazem para a escola, fomentando a individualidade como parte de um projeto moral e político para uma ação social transformadora
Pensar a alfabetização como forma de política cultural é defini-la sob o olhar freiriano, com uma leitura de mundo e da palavra. É analisar como ocorrem e se constroem as relações no interior da escola. É compreender que o conhecimento ocorre no momento em que professor e aluno se encontram em sala de aula, dando importância as próprias vidas e experiências.
A alfabetização política cultural exige repensar o currículo compreendendo-o como um instrumento que representa um conjunto de interesses que devem ser postos, examinados e debatidos criticamente e que permita que as diversas vozes escolares sejam ouvidas, confirmando e legitimando as experiências que dão sentido às próprias vidas.
Por fim, uma alfabetização crítica e de voz exalta a pluralidade e tem sua força na comunidade humana e nas relações sociais. Os educadores críticos constroem suas próprias vozes examinando com cuidado os interesses sociais e políticos que a conduzem, são, portanto, educadores e também educandos. Tem em sala de aula condições para análise, identificação e problematização das diversas maneiras de ver o outro e o mundo e cultivam as diferenças e semelhanças.
Referência:
GIROUX, Henry. Alfabetização e a pedagogia do empowerment político. In: FREIRE, Paulo e MACEDO, Donaldo. Alfabetização: leitura da palavra, leitura do mundo. 3. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990. p. 1-27.
Postado por carla sperafico às 06:35 0 comentários
Marcadores: Educação de Jovens e Adiltos
Síntese do Projeto de Aprendizagem - TEMA: Animais de Estimação
Os laços entre humanos e animais possuem desde os primórdios da civilização um componente prático e utilitário que diz respeito por exemplo: ao aumento significativo da eficiência da caça com a ajuda dos cães quando, esta atividade era essencial para a sobrevivência. Há ainda o aspecto emocional, que adquiriu também grande importância na sociedade humana, devido ao fato de os animais poderem suprir a necessidade de afeto ou preencher espaços vazios na solidão do mundo urbano, cada vez mais individualista.
A presença dos animais de estimação tornou-se evidente em praticamente
todas as culturas e com significados tanto universais quanto particulares dependendo da época e local onde os encontramos.
Começaram os estudos científicos dos benefícios que eles proporcionam aos seres humanos. A partir disso, adquiriu-se maior conhecimento sobre a função dos animais de estimação tanto na família, quanto na socialização, bem como o seu significado em nossas vidas. E por fim, foram desenvolvidas diversas técnicas que utilizam os animais de estimação em terapias individuais e familiares, na tentativa de auxiliar na resolução de problemas emocionais,como a depressão por exemplo.
Eles presenciaram toda evolução tecnológica, expressas principalmente na forma de manipulação do meio ambiente em função dos interesses humanos. Estão presentes desde os desenhos nas cavernas, feitos com pigmentos naturais com o objetivo de viabilizar magicamente a caça.
Podemos assim compreender os benefícios e bem-estar obtidos em sua companhia e porque as pessoas têm animais de estimação. Acompanhando a modernidade a relação com os animais de estimação também evoluiu, o que antes era uma relação de afetividade e utilidade passou a ser também relacionada ao status social e econômico, observamos isso através do crescimento no segmento de mercado destinado aos Pets, contando com uma inúmera diversidade de acessórios, brinquedos, guloseimas e mesmo roupas de luxo para os bichinhos. Essas necessidades são criadas pelo próprio ser humano num esforço de acentuar o processo de humanização em seus animais, desenvolvendo uma identificação entre o animal e seu dono.
Postado por carla sperafico às 06:31 1 comentários
Marcadores: Seminári Integrador VII
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Novo semestre...Eixo VII
Neste novo trimestre que se inicia, o foco interdisciplinar reside na comunicação, seja escrita, dialogada ou através de gestos.
Minha curiosidade se aguça no que diz respeito, principalmente, ao aprendizado de Libras, pois como vimos anteriormente, possuímos tesoura adaptada com arame revestido para aquele aluno que não pode apertar a argola, mas consegue bater, existe ainda outro tipo que é elétrica controlada por acionadores. Se o problema é o manejo do lápis, a aranha-mola auxilia a criança no traçado de letras, desenhos, etc. O engrossador de lápis (de espuma, de borracha), a pulseira imantada, etc. São alternativas, cada uma atendendo a uma diferente necessidade para o aluno com dificuldade de segurar o lápis ou fazer traçados. São alternativas materiais para solucionar alguns problemas que se apresentam no ambiente escolar.
Porém, como auxiliar o aluno que não escuta?
É claro que há softwes específicos, mas há também o momento em que o aluno não estará no ambiente com a presença de um computador, e o que fazer?
Na Interdisciplina de Educação de Jovens e Adultos, espero aprofundar meus conhecimentos sobre como se dá a aprendizagem destas etapas e como despertar o interesse destes que por algum motivo procuram a escola para continuar suas aprendizagens.
Até o momento, pensar sobre o que iria ser proposto pelas interisciplinas e minhas indagações pessoais, obtive repostas através das novas descobertas no decorrer dos semestres, e acredito que este que se inicia, em especial, não será diferente. Então...que se inicie o VII semestre!
Postado por carla sperafico às 15:42 1 comentários
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sábado, 4 de julho de 2009
Projeto de Aprendizagem
As discussões feitas sobre as teorias pedagógicas, metodologias e concepções sobre o processo de aprendizagem trouxeram novas discussões sobre as atividades pedagógicas e surge uma proposta metodológica para provocar uma mudança na escola: os Projetos de Aprendizagem.
Projeto de Aprendizagem é uma proposta de trabalho que nasce dos interesses e necessidades dos alunos buscando saciá-las de forma autônoma.
Através das situações de confronto e de um princípio de liberdade e interação os alunos constroem seus novos conhecimentos.
Aos professores especialistas, cabe mediar, acompanhar e desafiar os alunos para novos pontos de vista.
O professor mediador precisa deixar de ser o centro da atenção e razão das aprendizagens abrindo espaço à participação, favorecendo a autonomia mantendo vivos o interesse e a atenção dos alunos.
Essa mudança é complexa, pois vão mudar a base teórica dos educadores.
Ao mediador cabe abrir novos caminhos frente a questões desafiadoras que vão gerar novos conteúdos, que depois de explorados, possibilitam a construção de novos conhecimentos.
O encadeamento e sucessão de pergunta, resposta, nova hipótese, nova pergunta, dá coerência e unidade ao interrogatório cooperativo.
Os questionamentos mudam sua função em sala de aula e vão além de perguntas que buscam o que está na memória. Irão desestabilizar, provocar discussões, reflexões, análises e críticas, sendo isso essencial para a formação do cidadão.
O link a seguir refere-se ao Projeto de Aprendizagem que minhas colegas e eu estamos desenvolvendo.
Nossos estudos ainda não estão concluídos, porém é muito interessante acompanhar a caminhada que estamos realizando nesta nova proposta de aprendizagem...
Por que as pessoas têm animais de estimação?
Postado por carla sperafico às 13:08 1 comentários
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